Desde o princípio, um erro clássico deste
Governo foi não ajustar contas com o passado, a pretexto de que não queria
perder tempo com velhas querelas. Por assim dizer, apagou a responsabilidade de
toda a gente que tinha levado Antônio Carlos à situação desesperada a partir de
2000. O nosso coração é bom e muito inclinado a não tocar no sossego e no bom
nome do próximo. É um coração de ouro que não gosta de afligir ninguém. E, como
não gosta, os antônio-carlenses ficaram sem saber ao certo como se acumulou a
enorme dívida, que nos sufoca; quem deliberadamente a fez por sua própria força
e autoridade; e que espécie de razões presidiram ao exercício (corrupção?
oportunismo eleitoral? incompetência? puro desleixo?).
A julgar pelos tribunais parece que um
castigo do Altíssimo se abateu sobre nós para nos punir de inconfessáveis
pecados. Entretanto, cai interminavelmente do céu uma chuva de números, que de
resto mudam dia a dia e em que o cidadão comum deixou de acreditar.
E nós continuamos passivos no meio
desta feira de inocentes, sem a menor ideia do que nos vai suceder. Mas sem
queixas. Antônio Carlos é o município da impunidade.

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