Aprovação só foi
possível após acordo entre partidos para reescrever
o texto do projeto,
tirando
a chamada "adoção de enteado"

Com 173 votos
favoráveis e 71 contrários, o Senado da Itália aprovou nesta quinta-feira (25)
o projeto que legaliza a união civil entre pessoas do mesmo sexo. O governo
centro-esquerdista de Matteo Renzi havia submetido o texto ao voto de confiança
da Câmara Alta, manobra que impede a apresentação de emendas e evita
obstrucionismos.
A proposta anterior
previa que homossexuais pudessem registrar os filhos de seus parceiros, mas
apenas na ausência do outro pai biológico. O artigo seria uma forma de proteger
os direitos das crianças caso seu genitor falecesse, porém sofreu forte resistência
no Senado, em um país de tradições cristãs bastante arraigadas e que tem o
Vaticano dentro de sua capital, Roma.
Partidos de
oposição, a NCD e até mesmo a ala católica do PD se opuseram à medida e
forçaram o governo a tirá-la do projeto de lei. Atualmente, o gabinete
majoritariamente centro-esquerdista de Renzi só tem maioria no Senado graças ao
apoio da Nova Centro-Direita, que usou esse argumento para fazer o Partido
Democrático esvaziar a lei.
A NCD, comandada
pelo ministro do Interior Angelino Alfano, ganhou força para exigir as mudanças
que queria após o oposicionista Movimento 5 Estrelas (M5S), do comediante Beppe
Grillo, ter dado sinais de que não apoiaria integralmente a lei sobre união
civil, contrariando o que havia prometido anteriormente. Com os votos do M5S, o
PD conseguiria chancelar o texto original.
Outro item que pagou
o preço foi o da "obrigação de fidelidade". Segundo os conservadores,
incluir esse termo na definição de "união civil", regime que será
estendido aos homossexuais, a colocaria em pé de igualdade com o
"matrimônio", que continuará sendo exclusivo dos casais
heterossexuais.

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