Por Eduardo Bhaltasar 'O Prato Feito'
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Foto tirada (autor
desconhecido) durante a competição Pré-intermed 2016
que acontece nesse feriado
de Páscoa.
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Sou fã da
Pré-intermed, já participei de algumas como competidor e como torcedor, joguei
basquete (meu esporte de criação), handball, competi também no atletismo
(medalha de bronze em salto em altura - aqui eu quis me mostrar) e xadrez
(nunca perdi uma partida - e mais uma vez quis me mostrar). Me formei em
medicina pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e me lembro de sempre ficar
ansioso por causa dessa semana que mexia com nossos nervos, mas ao mesmo tempo
via certas coisas que realmente eu não concordava, como brigas e agressões
entre as torcidas.
E pelo que vi,
certas coisas não mudaram nessa competição que acontece uma vez por ano.
Antes de entender o
caso, precisamos olhar para uma outra universidade. Como todos sabem, esse ano
a Unicamp bateu o recorde de alunos oriundos de escolas públicas e desse total
43% se declararam negros, pardos ou indígenas. O curso de medicina teve um resultado
espetacular, pois teve a porcentagem de 88,2% de alunos oriundos de escolas
públicas.
A Faculdade de
Medicina de Jundiaí (FMJ), uma das participantes dessa competição, pisou feio
na bola. Alguns alunos que estavam na torcida, numa tentativa de desmoralizar o
adversário que no caso era a Unicamp, estamparam no peito as letras C-O-T-A-S.
Afinal, pelo que parece, para esses alunos, uma universidade que tem cotas
étnicas como política institucional é algo desmoralizante, algo que diminui sua
qualidade.
A opinião sobre as
políticas afirmativas serem boas ou ruins, certas ou erradas, não é a intenção
desse artigo, isso é outra discussão. O tema central é que não existe motivos
para que alguém desmoralize a universidade, no caso dela adotar essa política,
o aluno e/ou o profissional que é beneficiário desse tipo de política, pois
como mostra esse estudo da Unifesp, esse estudo da UnB e esse estudo da
Unicamp, cotistas tem o mesmo desempenho ou, em alguns casos, desempenho
superior quando comparado aos alunos não-cotistas.
O preconceito racial
existe sim entre alguns, e repito alguns, alunos de medicina, eu vivi isso.
Piadas racistas eram contadas com certa frequência (e aqui quem me conhece sabe
que nunca aceitei), como também racismos escancarados, como certa vez ouvi uma
colega dizer: "- Não quero mais atender aquele preto fedido".
É uma pena ter que
ver esse tipo de imagem em pleno século XXI, vindo de uma classe de alunos que
serão formadores de opinião em um futuro próximo, pois na sociedade brasileira,
quando um médico fala ele é de certa maneira ouvido.


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