Nigel Amon - Cubisme Africain

Nigel Amon   -   Cubisme Africain

23 de abr. de 2018

Tudo bem, Tio



Chamar a atenção para as barbas de um ídolo abatido por uma  justiça migratória enquanto permiti que o Movimento Democrático Brasileiro tome conta e esvazie os cofres públicos; Que o exército faça um pé de meia após investidas sensacionalistas;  Que a máfia empresarial se organize em poder político; Que o DEM governe o Congresso; Que a mídia controle a massa e que o PSDB liquide o estado no mercado internacional  a mim parece ser apenas mais uma estratégia maquiavélica, nada assim,  tão  absurda para os tempos absurdos de hoje.


"Depois da exortação do ex-chanceler Celso Amorim para os intelectuais tomarem as ruas, vem agora o jornalista Mauro Santayana, do alto de seus 83 anos, com a saúde muito abalada mas uma lucidez e um descortino próprios dos grandes patriotas, a apelar para a união dos “democratas e dos nacionalistas onde os houver”, com o fim de “evitar e se contrapor, de forma inteligente, coordenada, ao fortalecimento descontrolado, já quase inevitável, das forças antidemocráticas e antinacionais”. Santayana, uma das maiores penas do jornalismo brasileiro, tendo sido correspondente em Praga, Bonn, Madri, Roma e Buenos Aires, Havana e Assunção e dirigente de nossas melhores redações, entregou-se ultimamente a abrir os olhos para os riscos de estralhaçamento hoje vividos pelo Brasil."

22 de abr. de 2018

Ministério da Saúde



Cerca de 11 Mil pessoas

tiram a própria vida

todos os anos no Brasil

Os dados apontam que 62% dos suicídios foram causados por enforcamento



De acordo com o primeiro boletim epidemiológico sobre suicídio, divulgado pelo Ministério da Saúde, em 2017, entre 2011 e 2016, 62.804 pessoas tiraram suas próprias vidas no país, 79% delas são homens e 21% são mulheres.

Para a diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis e Promoção da Saúde, Fátima Marinho, esse número é maior, pois há uma perda de diagnóstico dos casos de suicídio. Segundo ela, nas classes sociais mais altas há um tabu sobre o tema, questões relacionadas a seguros de vida e diagnósticos feitos por médicos da família. “As pessoas mais pobres, em geral, captamos a morte porque ele vai pro IML [Instituto Médico Legal]”, explicou.

As tentativas de suicídios são mais frequentes em mulheres. Das 48.204 pessoas que tentaram tirar a própria vida entre 2011 e 2016, 69% era mulheres e 31% homens. A proporção de tentativas de suicídio, de caráter repetitivo também é maior entre as mulheres. Entre 2011 e 2016, daqueles que tentaram suicídio mais de uma vez, 31,3% são mulheres e 26,4 são homens. O meio mais utilizado nas tentativas de suicídio foi por envenenamento, 58%. Seguido de objeto pérfuro-cortante, 6,5%; enforcamento, 5,8%.

boletim epidemiológico sobre suicídio está disponível na página do Ministério da Saúde. A pasta também disponibiliza materiais de orientação para jornalistas, profissionais de saúde e população geral.

Linguagem amorosa. O poeta Mário Quintana que o diga


Desenho de Luiza Pannunzio 

Fere de leve a frase … E esquece… Nada
Convém que se repita…
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.

Mário Quintana

18 de abr. de 2018

Preste atenção, ô!


Eliphas Levi


Por Ali Onaissi - 

Alphonse Louis Constant (1810-1875) foi um grande Iniciado da Alta Magia. Mais conhecido como Eliphas Levi, chegou a ser o chefe supremo dos Adeptos e Magos na Europa, em 1856. Líder do Grande Domo da Europa, ao qual pertenceram o dr. Paschal Beverly Randolph, Jules du Potet e o lorde Bulwer-Lytton (este último, autor de importantíssimas obras de ocultismo, como Zanoni e vril-o-poder-da-raca-futura


Eliphas Levi é considerado, no mundo da magia branca, como um dos precursores do renascimento do atual interesse por todos os temas fantásticos. Foi abade da Igreja Católica, a qual a abandonou para dedicar-se de cheio aos estudos do Ocultismo, da Magia e da Rosa-cruz.

eliphas-levi foi o autor de numerosos livros Arcanos, considerados peças mestras do Ocultismo. Entre seus livros mais conhecidos encontram-se o dogma-e-ritual-de-alta-magia uma obra mestra clássica da Magia, da Alquimia e do Ocultismo Vitoriano Europeu, e o grande-arcano onde lê-se nas entrelinhas que este grande mestre maçom conhecia profundamente a magia sexual e outras práticas profundas.

O VM Samael Aun Weor conhecia muito profundamente as obras desse grande mestre da Magia.

Uma das experiências pessoais de Samael com esse mestre da Loja Branca, no mundo astral, está relatada a seguir, mostrando a todo o mundo esotérico que tanto Samael quanto Eliphas Levi são grandes mestres cabalísticos e da magia:

 Tratando-se de projeções do Eidolon e viagens suprassensíveis fora do corpo físico, temos muito a dizer.

Nos instantes em que escrevo estes trechos vêm à minha memória acontecimentos extraordinários, maravilhosos.

Repassando velhas crônicas de minha longa existência, com o ânimo de clérigo e de cela, surge Eliphas Levi.

Uma noite qualquer, fora da forma densa, andei por aí invocando a Alma daquele falecido que em vida se chamara: abade Alphonse Louis Constant (Eliphas Levi).

É óbvio que o encontrei sentado ante um velho escritório, no salão augusto de um antigo palácio.

Com muita cortesia se levantou de sua cadeira para atender respeitosamente às minhas saudações.

– Venho pedir-vos um grande serviço – disse. Quero que me deis uma chave para sair instantaneamente em corpo astral cada vez que o necessitar. 
– Com muito prazer – respondeu o abade –, porém, antes quero que me você me traga amanhã mesmo a seguinte lição: O que é o mais monstruoso que existe sobre a terra? 
– Dai-me a chave agora mesmo, por favor…
– Não! Traga-me a lição e com muito prazer lhe darei a chave.

O problema que o abade havia delineado resultou convertido em um verdadeiro quebra-cabeças, pois são tantas as coisas monstruosas que existem no mundo, que francamente eu já não achava solução.

Andei por todas as ruas da cidade observando, tratando de descobrir o mais monstruoso e quando cria havê-lo achado, então surgia algo pior. De pronto, um raio de luz iluminou meu entendimento.

Ah, dei-me conta, já entendo. O mais monstruoso tem que ser de acordo com a Lei das Analogias dos Contrários, o antípoda do mais glorioso…

Bom, porém, o que é o mais glorioso que existe sobre a dolorosa face deste afligido?

Veio, então, a meu translúcido a montanha das caveiras, o Gólgota das amarguras e o Grande Kabir Jesus, agonizante em uma cruz por Amor a toda a humanidade doente…


















Então, exclamei: “O Amor é o mais grandioso que existe sobre a terra! Eureka! Eureka! Eureka! Agora descobri o segredo: o Ódio é a antítese do mais grandioso”.

Resultava evidente a solução do complexo problema. Agora, é indubitável que eu devia me pôr novamente em contato com Eliphas Levi.

Projetar outra vez o Eidolon foi para mim questão de rotina, pois é claro que nasci com essa preciosa faculdade.

Se eu buscava uma chave especial, fazia-o não tanto por minha insignificante pessoa que nada vale, senão por muitas outras pessoas que anelam o desdobramento consciente e positivo.

Viajando com o Eidolon ou Duplo Mágico, muito longe do corpo físico, andei por diversos países europeus buscando o abade. Mas, este, por nenhuma parte aparecia.

De pronto, em forma muito inusitada, senti um chamado telepático e penetrei em uma luxuosa mansão. Ali estava o abade, mas…

Ó, surpresa! Maravilha! O que é isto? Eliphas convertido em criança e metido em seu berço? Um caso verdadeiramente insólito, não é verdade?

Com muita veneração, muito quietamente me acerquei ao bebê dizendo:

Mestre, trago a lição. O mais monstruoso que existe sobre a terra é o Ódio. Agora, quero que cumprais o que me prometestes. Dai-me a chave…

Porém, ante meu assombro, aquele menino calava enquanto eu me desesperava sem compreender que “o Silêncio é a eloquência da Sabedoria”.

De vez em quando eu o tomava nos braços desesperado, suplicando-lhe, mas tudo em vão. Aquela criatura parecia a esfinge do silêncio.

Quanto tempo durou isto? Não o sei! Na Eternidade não existe o tempo e o passado e o futuro se irmanam dentro de um eterno agora.

Por fim, sentindo-me defraudado, deixei o pimpolho no seu berço e saí muito triste daquela casa vetusta e ensolarada.

Passaram-se os dias, os meses e os anos e eu continuava sentindo-me defraudado, sentia como se o abade não tivesse cumprido sua palavra empenhada com tanta solenidade. Mas um dia qualquer veio a mim a luz.

Recordei então aquela frase do Cabir Jesus: “Deixai que venham as crianças a mim, porque delas é o Reino dos Céus”.

Ah, já entendo, eu disse a mim mesmo. É urgente e indispensável reconquistar a infância perdida na mente e no coração. “Até que não sejais como crianças, não podereis entrar no Reino dos Céus”.

Esse retorno, esse regresso ao ponto de partida original, não é possível sem antes haver morrido em si mesmo: a Essência, a Consciência, está desafortunadamente engarrafada em todos esses agregados psíquicos que em seu conjunto tenebroso tenebroso constituem o Ego.

Só aniquilando tais agregados esquerdos e sombrios a Essência pode despertar em estado de inocência primigênia.


Todos nós saímos em astral todas as noites, sem exceção. Mas o
grande segredo é sairmos do corpo físico CONSCIENTEMENTE

















Quando todos os elementos subconscientes hajam sido aniquilados a poeira cósmica, a Essência é liberada. Então, reconquistamos a perdida infância.

Novalis disse: “A Consciência é a própria Essência do homem em completa transformação, o Ser Primitivo Celeste”.

Resulta palmário e manifesto que quando a Consciência desperta, o problema do desdobramento voluntário deixa de existir.

Depois de ter compreendido a fundo todos esses processos da humana psiquê, o abade nos mundos superiores me fez entrega da parte segunda da Chave Régia.

Certamente, esta foi uma série de mântricos sons com os quais se pode realizar em forma consciente e positiva a projeção do Eidolon.

Magia Elemental das Aves

Para o bem de nossos estudantes gnósticos, convém estabelecer de forma didática a sucessão inteligente destes mágicos sons:

a.          Um assobio longo e delicado semelhante ao de uma ave.
b. Entonação da vogal 
E” (EEEEEEEEE) alongando o som com a nota RE.
c. Cantar a 
R fazendo-a ressoar com a SI musical, imitando a voz da criança, em forma aguda, algo semelhante ao som agudo de um motorzinho demasiado fino e sutil (RRRRRRRRR).
d. Fazer ressoar a 
S em forma muito delicada como um silvo doce e aprazível (SSSSSSSSS).

ACLARAÇÃO: O ponto “a” é um assobio real e efetivo. O ponto “d” é somente semelhante a um assobio…

ASANA: Deite-se o estudante gnóstico na posição do homem morto: decúbito dorsal (boca para cima).

Abram-se as pontas dos pés na forma de leque tocando-se pelos calcanhares.

Os braços ao longo do corpo, todo o veículo físico bem relaxado.

Adormecido o devoto em profunda meditação, cantará muitas vezes os mágicos sons.

ELEMENTAIS: Esses mantras encontram-se intimamente relacionados com o Departamento Elemental das Aves e é ostensível que estas últimas assistirão ao devoto com a condição de conduta reta.


O Pentagrama Esotérico de Eliphas Levi


14 de abr. de 2018

Expectativa do momento - Tem antôniocarlense com o ‘O’ na mão


Quem deve
tem medo, Azeredo vai ser preso.

Você ainda ama a sua mulher?


Um grupo de homens se reuniu em um seminário sobre como melhorar a vida conjugal.
A palestrante, professora Nalva Gina, perguntou quais deles ainda amavam suas mulheres, e todos levantaram a mão.
- E qual a última vez que vocês disseram a elas que as amavam? - perguntou ela.
A maioria não se recordava quando.
Dr.ª Nalva Gina sugeriu, então, que eles pegassem seus celulares e escrevessem “Te amo, querida" e enviassem pras esposas por WhatsApp, e pediu que os homens mostrassem as respostas.

Abaixo algumas delas:


1) Você está bem?

2) O que foi? 

3) O que você quer dizer com isso?

4) Aí tem.

5) Se não me disser para quem era esta mensagem, eu juro que te capo!

6) Nem vem! Tô menstruada!

7) Está com alguma doença terminal?

8) Que merda você andou fazendo?

9) Já tá bebendo de novo?

Mas a melhor de todas foi essa:

10) Quem é?

Bar do Ferreirinha é um Blog que visito sempre. Não sei se você vai gostar de tudo que tem lá. Vale a pena conferir  https://novobardeferreirinha.blogspot.com/

Até amanhã


No Bar Dos Doidos, Gilson Variedades pediu emprestado o telefone celular de Naldinho e ligou, com viva voz e tudo, para Dr:Everaldo.

− Alô, Everaldo, aqui é o Gilson.
− Diz. Respondeu Dr: Everaldo.
− Tô precisando de 500 reais.
− Até quando, Gilson?
− Até amanhã.

− Até amanhã, Gilson. Fica com Deus. E desligou.



A água não pode ser tratada como um produto de mercado, e sim como um bem comum, um meio de sobrevivência, e seu acesso para o consumo deve ser universal. Esse foi o enfoque dominante entre os participantes do Colóquio Latino-Americano Água, Vida e Direitos Humanos promovido neste domingo (18) pelo Ministério Público Federal em parceria com o Senado.

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Água potável como direito

Funda
mental

Eleições 2018: Saiba como baixar o Documento digital e-Título

e-Título: seu título eleitoral no celular - Por ThiagoMoraes














Desde dezembro de 2017 está disponível o e-Título, serviço para facilitar a vida do eleitor.

O aplicativo permite ao eleitor acessar uma via digital do título eleitoral por meio do seu smartphone ou tablet.

No aspecto sustentável, o e-Título surge como alternativa à emissão de título eleitoral em papel, com notável economia de custos da Justiça Eleitoral.

Para o eleitor, o benefício virá na facilidade de ter os seus dados eleitorais sempre seguros e disponíveis, diminuindo os riscos de extravios e danos ao título de eleitor.

Para acessar o documento digital, o eleitor deverá baixar o aplicativo e-Título, que já está disponível no Google Play e na App Store.

Ao inserir no aplicativo, o número do seu título eleitoral, seu nome, o nome da mãe e do pai e a data de nascimento, o e-Título será validado e liberado. Ao ser acessado pela primeira vez, o documento será gravado localmente e ficará disponível ao eleitor.

O título de eleitor continua existindo com a mesma validade na versão original, impresso.

12 de abr. de 2018

Voltaire never said it!



Investigação afirma que a mais famosa das frases atribuídas ao filósofo francês jamais foi escrita ou proferida pelo autor de Cândido, ou o Otimismo


por Ivan Bilheiro*

O pensamento filosófico - rico que é - já cunhou uma série de expressões que, bem empregadas ou não, tornaram-se largamente conhecidas. É o caso, para ficar em um só exemplo, da famosa máxima de Maquiavel: "os fins justificam os meios" (a qual figura no capítulo XVIII de suamagnum opus O príncipe). Nesta linha, no entanto, aparecem frases que, ainda tomadas como emblemáticas, não podem ser verdadeiramente creditadas aos supostos autores. É possível que existam diversas situações não esclarecidas em que isso ocorre - o que, diga-se de passagem, macula o estudo de Filosofia mais do que os próprios supostos autores. Mas há um caso ícone, o de François- Marie Arouet, mais conhecido pelo cognome Voltaire (1694-1778).

Apesar de ser frequentemente citada, inclusive em livros didáticos, como síntese de uma fi- losofia, a frase "Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo" (que pode aparecer escrita com algumas pequenas variações) não é fruto da sagaz pena de Voltaire. Todo um retrato do pensamento voltairiano foi construído em torno a essa citação, tomando o filósofo, a partir daí, como um iluminista plena e irresolutamente comprometido com a liberdade de expressão, cuja bandeira de luta seria a tal frase, assimilada como um lema. Uma busca pelos escritos de Voltaire, entretanto, planta a dúvida: onde está a afamada afirmação? A investigação por esse caminho é, contudo, vã, pois não há, em nenhum texto do filósofo, a preciosa frase. Algo tomado quase pacificamente como o resumo do pensamento voltairiano revelando-se apócrifo é mesmo o germe de uma pesquisa, e a investigação revela-se frutífera.

Nota-se, portanto, que a expressão "Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo" é uma daquelas frases que muitos leram, alguns citaram e quase ninguém pesquisou de onde verdadeiramente veio (e de quem é!). Há um grande risco na falta de precisão em casos assim, porque uma falsa atribuição nem sempre enobrece um autor.

Na verdade, como pode-se verificar, a tão citada frase foi elaborada por uma biógrafa de Voltaire, em uma obra do início do século 20 - portanto, bem distante do período de vida e produção do filósofo francês. Em um livro de 1906 chamado Th e friends of Voltaire ("Os amigos de Voltaire" - tradução livre), publicado em Londres pela Smith, Elder & Co., a escritora Evelyn Beatrice Hall (1868-c. 1939) - que durante um tempo usou o pseudônimo S. G. Tallentyre - trata de dez figuras notáveis com quem seu biografado, de alguma forma, se relacionou. São eles: D'Alembert, Diderot, Galiani, Vauvenargues, D'Holbach, Grimm, Turgot, Beaumarchais, Condorcet e Helvétius. É na parte dedicada a este último que a biógrafa apresenta a frase "I disapprove of what you say, but I will defend to the death your right to say it" ("Eu discordo do que você diz, mas vou defender até a morte seu direito de o continuar dizendo", em tradução livre).

Talvez por uma questão de estilo, Evelyn Hall colocou a frase entre aspas e a construiu em primeira pessoa, o que acabou gerando a confusão e a falsa atribuição. Mas, de fato, a intenção da escritora era resumir o posicionamento que Voltaire teria adotado com relação ao banimento de um livro de Claude-Adrien Helvétius (1715-1771), outro filósofo francês com quem ele teve certo desacordo. Em 1758, Helvétius publicou o livro De l'espirit, o qual foi condenado pela Sorbonne, pelo Parlamento de Paris e até pelo Papa, chegando a ser queimado. Apesar do desacordo explícito com relação ao pensamento de Helvétius, Voltaire não acreditava que o banimento daquele livro fosse um ato correto. Foi a atitude de Voltaire frente a esta situação que Evelyn Hall tentou resumir com sua frase, inadvertidamente escrita entre aspas e em primeira pessoa.

Em outro livro da mesma autora, chamado Voltaire in his letters ("Cartas de Voltaire" - tradução livre aproximada), publicado em 1919, aparece a mesma ideia, ora apresentado como um "princípio voltairiano" (embora ainda grafado entre aspas e em primeira pessoa), com uma mínima alteração de redação que não resulta em conteúdo diferente. Ainda ali, Hall encerra o "princípio" em um posicionamento de Voltaire para com Helvétius.

UMA CONSTRUÇÃO TARDIA

Nota-se, portanto, é que a famosa afirmação nem é de Voltaire nem configura um resumo de sua filosofia como um todo. Ela é, precisamente, uma construção tardia de uma biógrafa, e não faz mais do que retratar uma determinada posição adotada por Voltaire em uma situação muito específica com outro filósofo - e faz com que seu poder de frase-lema da liberdade de expressão seja consideravelmente reduzido.

Essa confusão involuntária chegou a ser reconhecida pela biógrafa de Voltaire. Na revista Modern Language Notes, publicada pela The Johns Hopkins University Press, em sua edição de novembro de 1943, há um texto de Burdette Kinne sobre o assunto, intitulado Voltaire never said it! ("Voltaire nunca disse isso!", tradução livre), em que consta a reprodução de uma carta de Evelyn Hall, datada de 9 de maio de 1939, em que ela afirma ser de sua própria autoria a tal frase erroneamente atribuída ao filósofo francês do século 18, chegando a apresentar desculpas por seu texto permitir a interpretação de que a fala era de Voltaire, mesmo não sendo esta sua intenção.

Ainda houve quem considerasse que Evelyn Hall teria, seja por acaso ou não, feito uma paráfrase de uma fala - esta sim - de Voltaire, menos conhecida, que se encontraria em uma carta endereçada a um certo Monsieur Le Riche, datada de 6 de fevereiro de 1770. Esse foi o caso de Norbert Guterman, editor do livro A book of french quotations ("Um livro de citações francesas", tradução livre), publicado na década de 1960. Segundo ele e os demais defensores desta linha, haveria na referida carta a frase "Monsieur l'abbé, je déteste ce que vous écrivez, mais je donnerai ma vie pour que vous puissiez continuer à écrire" ("Senhor abade, eu detesto o que escreves, mas eu daria minha vida para que pudesses continuar a escrever", tradução livre), uma espécie de variação daquela mais famosa.

Outra vez, porém, criou-se uma equivocada atribuição a Voltaire. Em suas obras completas, publicadas em Paris já entre os anos de 1817 e 1819, sob o selo Chez Th. Desoer, há a coleção de correspondências do filósofo, em que figura a tal carta endereçada a Monsieur Le Riche, mas não é possível encontrar nada sequer parecido com a famigerada frase. Até grandes pensadores como Noam Chomsky se deixaram levar por essa "nova" falsa atribuição, como é possível observar em seu artigo do jornal The Nation, intitulado His right to say it, em 28 de fevereiro de 1981.

Nota-se, portanto, que a expressão "Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo" é uma daquelas frases que muitos leram, alguns citaram e quase ninguém pesquisou de onde verdadeiramente veio (e de quem é!). Há um grande risco na falta de precisão em casos assim, porque uma falsa atribuição nem sempre enobrece um autor. Nesse caso, Voltaire passou a ser tomado como ícone da luta pela liberdade de expressão. Mas e quando a frase acaba por denegrir um pensador? É preciso rigor na investigação. Daqui por diante, fica como sugestão o princípio: "Eu posso não concordar com o que citas, e por isso requisitarei sempre suas fontes para poder checá-las".

* Ivan Bilheiro é graduado em História pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/ JF), graduando em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), instituição na qual também cursa a especialização em Ciência da Religião e pós-graduando em Filosofia, pela Universidade Gama Filho (UGF).